top of page
Buscar

As quatro perguntas que faço quando alguém me pede ajuda

há 18 horas
2 min de leitura

Quando alguém me pede ajuda, há quatro perguntas que faço antes de responder.

Demoram segundos e mudaram-me a forma de estar com as pessoas.


Quero ajudar?

Esta é a primeira e é a que mais custa, porque obriga a admitir que às vezes não quero.

Não quer dizer que não goste da pessoa. Quer dizer que naquele pedido, naquele momento, não há vontade nenhuma do meu lado.

E saber isso logo à cabeça poupa muito. Porque ajudar sem querer é a forma mais rápida de acabar com ressentimento, e o ressentimento vai aparecer de qualquer maneira, mais tarde e pior.


Posso ajudar?

Querer e poder não são a mesma coisa.

Posso querer imenso e não ter como. Não ter tempo, não ter competência, não ter a energia que aquilo exige, estar eu própria a atravessar qualquer coisa.

Querer muito não me dá capacidade. E aceitar um pedido que não consigo cumprir não é generosidade, é criar uma expectativa que vou falhar.


Como é que a pessoa quer ser ajudada?

Esta é a que quase ninguém faz e é das mais importantes.

Há quem queira ser ouvido. Há quem queira soluções. Há quem queira companhia sem se falar no assunto. Há quem só queira dizer aquilo em voz alta a alguém.

Se eu não perguntar, vou dar aquilo que me parece a mim, que é quase sempre aquilo que eu própria gostaria de receber. E posso gastar imenso a dar a coisa errada.

Pergunto. E muitas vezes a resposta surpreende-me.


Estou disponível para isso?

Aqui junta-se tudo.

Posso querer ajudar, posso ter capacidade, posso saber exatamente o que a pessoa precisa, e mesmo assim não estar disponível para dar aquilo em concreto, naquela altura.

É nesta pergunta que a resposta deixa de ser teórica.


E depois?

Depois há três saídas, e todas são legítimas.

Encontrar uma forma que sirva as duas pessoas. Nem sempre o pedido tem de ser aceite como veio. Às vezes posso dar outra coisa, de outra maneira, noutro momento, e serve na mesma. Isto é o que mais faço e costuma ser melhor para os dois lados.

Dizer que não. E não é uma frase incompleta. Não é preciso justificar, não é preciso compensar, não é preciso oferecer uma alternativa para o não ficar aceitável. Não é uma resposta inteira.

Explicar, se quiser explicar. Se for o timing, se for a forma, se for qualquer outra coisa, posso dizê-lo. Mas por escolha minha, não por dever de me justificar.


O que isto mudou

Cumpro melhor aquilo a que digo que sim.

Já não ando a fazer coisas a arrastar, a contar os dias até aquilo acabar, com aquela irritação por baixo que depois sai noutro sítio qualquer.

E quando digo que sim, é mesmo sim.

 
 
 

Comentários


bottom of page