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Dar o que tenho, não o que a outra pessoa precisa

há 3 dias
2 min de leitura

Durante muito tempo eu dava conforme o que estava à minha frente.

Se alguém precisava de muito, eu dava muito. Se alguém estava mal, eu ficava. Se alguém pedia, eu respondia. A medida nunca era minha, era sempre da outra pessoa.

E parecia generosidade.


O que acontecia a seguir

Acontecia que eu ficava vazia.

Não de uma vez. Aos bocados, ao longo de dias e de semanas, sem eu dar bem por isso. Até chegar a um ponto em que já não tinha nada para dar a ninguém, nem a mim.

E a seguir vinha a parte menos bonita: a frustração. Aquela sensação de dar tanto e não receber nada. Que nunca é sobre a outra pessoa, mas que se despeja nela à mesma.


A medida tem de ser minha

Hoje faço a pergunta ao contrário.

Antes perguntava: de quanto é que esta pessoa precisa?

Agora pergunto: de quanto é que eu disponho?

Não é a mesma coisa e não dá o mesmo resultado. A primeira pergunta não tem fim, porque a necessidade da outra pessoa pode ser infinita e não é responsabilidade minha preenchê-la toda. A segunda tem um limite, e o limite sou eu.


Isto não é dar menos

Foi o que eu achei durante muito tempo, e por isso resisti.

Se eu der conforme o que tenho, e não conforme o que a pessoa precisa, estou a dar menos. Estou a ser egoísta. Estou a abandonar alguém a meio.

Não é verdade.

O que eu dou a partir de mim própria, com medida, chega inteiro. O que eu dou a partir do vazio chega misturado com cansaço, com ressentimento e com a conta que, mais tarde, vou querer cobrar.

Há uma diferença enorme entre doar a partir da inteireza e doar a partir do vazio.


E a outra pessoa?

Pode ficar desapontada. Pode esperar mais.

E está tudo bem.

Posso ter empatia por alguém e não fazer nada. Posso saber que seria capaz de ajudar e escolher não ajudar. Posso fazer uma coisa duas ou três vezes, a pessoa criar a expectativa de uma quarta e de uma quinta, e eu não fazer.

Isso não me torna má pessoa. Torna-me uma pessoa com limites, que é condição para continuar a estar disponível durante anos em vez de durante umas semanas.


O que mudou

Dou menos vezes e dou melhor.

Estou mais presente quando estou, porque não estou a contar os minutos nem a gerir a minha própria exaustão ao mesmo tempo.

E deixei de precisar que me agradeçam, porque já não estou a pagar nada com aquilo que dou.

 
 
 

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