Decidi que o universo conspira a meu favor

E reparem na palavra: decidi.
Não foi uma coisa que me aconteceu nem uma prova que alguém me deu. Foi uma decisão minha, que tomei a certa altura e que mantenho todos os dias.
Como é que isso funciona na prática
Alguém se mete à minha frente no trânsito. Talvez me tenha livrado de um acidente. Talvez eu estivesse a andar depressa de mais e precisasse de desacelerar.
Alguém é desagradável comigo. Talvez fosse para me fazer parar. Para me redirecionar. Para me abrir os olhos a alguma coisa.
Alguém se atrasa. Ganhei tempo para fazer outra coisa, ou para descansar.
Alguém me irrita. Se calhar estava eu demasiado agarrada a outra coisa qualquer.
Não é fingir que está tudo bem
Isto é o que mais me interessa dizer, porque é onde esta ideia costuma ser mal usada.
Eu sinto tudo na mesma. Passo pelas emoções todas, com o mesmo ritmo e a mesma intensidade de sempre.
A diferença é o que acontece depois. Senti, passou, e então olho para aquilo e pergunto: como é que isto foi bom para mim? O que é que eu aprendi aqui? O que é que pode ter sido aqui a coisa boa?
Primeiro sinto. Só depois procuro.
Às vezes não encontro nada
E às vezes imagino. Às vezes invento mesmo.
Também está bem.
Porque o objetivo não é descobrir a razão verdadeira pela qual aquilo aconteceu. Eu não tenho acesso a isso e provavelmente nunca vou ter. O objetivo é escolher o que faço com aquilo que aconteceu.
Entre ficar com o peso e procurar o que ali há de aproveitável, escolho a segunda. Não porque seja mais verdadeira. Porque é mais leve e porque me leva a algum lado.
Chamem-lhe o que quiserem
Universo, Deus, vida, o que for.
O nome não me interessa. O que me interessa é a postura: tudo o que me acontece é um presente, é uma bênção, é bem-vindo.
Eu só escolho o que faço com isso.
O que muda
Muda a quantidade de tempo que passo a lutar com o que já aconteceu.
Antes, uma contrariedade ocupava-me o dia inteiro. Agora ocupa-me o tempo que demora a atravessar-me, e depois transforma-se noutra coisa.
Continuo a sentir. Continuo a ter dias maus. Mas vivo muito mais leve.
E essa leveza não me foi dada. Eu decidi-a.



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