Não sou só a minha cabeça

A minha cabeça é incrível. Sabe quais são as melhores decisões.
Sabe que eu não devia comer açúcar. Sabe que devia fazer exercício. Sabe que determinada escolha é melhor para mim do que a outra.
E mesmo assim nem sempre faço. Nem eu nem ninguém.
Saber não é poder
Não é por eu saber uma coisa que tenho, imediatamente a seguir, o poder de a pôr em prática.
Durante muito tempo isto frustrou-me. Se eu já percebi, porque é que não mudo? Se a informação está toda lá, porque é que continuo a fazer o contrário?
A resposta é simples e demorei a aceitá-la: porque eu não sou só a minha cabeça.
Sou um conjunto muito maior. Emoções, energia, vontades, inconsciente, história de vida, ADN. Uma data de coisas que não estão à minha disposição consciente e que também decidem.
Por mais que a minha cabeça às vezes saiba qual é a melhor escolha, e às vezes só ache que sabe, isso não é garantia de nada.
Isto não é desculpa
Convém dizer, porque é fácil usar esta ideia da forma errada.
Não escrevo isto para justificar tudo o que faço nem para ficar num marasmo à espera que as coisas mudem sozinhas.
Escrevo porque perceber isto tira um peso enorme. O que já foi, já foi. E a partir de hoje, com cada bocadinho de consciência nova, posso ir tentando.
Há dias em que vai correr bem. Há dias em que não vai correr tão bem. Porque eu não sou só a minha cabeça.
O que muda com isto
Muda a relação com o falhanço.
Quando eu achava que era só a minha cabeça, cada vez que não fazia o que sabia que devia fazer, concluía que havia alguma coisa errada comigo. Falta de força de vontade, falta de carácter, falta de alguma coisa.
Agora sei que há outras partes de mim envolvidas, e que essas partes também precisam de ser ouvidas, trabalhadas, tidas em conta.
Não é mais fácil. Mas é mais verdadeiro. E a partir do verdadeiro consegue-se trabalhar.



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