Quando explicar demais nos afasta da experiência
- Filipa Lele
- 27 de mar.
- 1 min de leitura

Vivemos numa cultura que valoriza a compreensão imediata. Queremos perceber, explicar,
organizar, dar sentido. E, no entanto, há experiências que pedem exatamente o oposto: menos palavras, mais espaço.
Há momentos em que falar demasiado sobre o que vivemos não aprofunda, afasta. Voltar repetidamente aos mesmos discursos, às mesmas narrativas, pode ser uma forma subtil de evitar sentir. Como se, ao explicar, estivéssemos a tentar controlar algo que ainda não assentou dentro de nós.
Criar algo novo internamente exige interromper padrões antigos. Exige não reforçar os caminhos mentais habituais. Nem tudo precisa de ser resolvido de imediato; algumas coisas precisam de silêncio, tempo e integração.
Existe uma diferença importante entre partilhar uma experiência e tentar “trabalhá-la” incessantemente. Quando insistimos em resolver, analisar ou corrigir, muitas vezes estamos a impedir que o corpo e o sistema nervoso façam o seu próprio trabalho.
Sentir é um processo ativo, mesmo que pareça passivo. Exige presença e confiança. Exige aceitar que nem tudo se esclarece pela via racional. Há transformações que só acontecem quando deixamos de interferir.
Talvez maturidade seja isto: saber quando falar e, sobretudo, saber quando parar.



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