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Afinal, eu sempre me estive a especializar

Cresci a ouvir que tinha de me especializar em alguma coisa.


Que tinha de ser extremamente boa numa área, investir nisso, construir uma carreira e, quem sabe, passar a vida inteira na mesma empresa a crescer profissionalmente.


Mas o mundo mudou.


E já mudou há bastante tempo.


Hoje já ninguém espera que uma pessoa fique a vida toda na mesma empresa. E, felizmente, também deixou de existir aquela expectativa de que somos apenas uma coisa.


Na verdade, nunca fomos.


Eu própria já mudei de profissão várias vezes.


Já experimentei muita coisa.


E, durante muito tempo, achei que isso era um problema.


Sentia que talvez não estivesse a investir nas competências certas. Que não estivesse a estudar aquilo que devia. Que não estivesse suficientemente focada. E que, por causa disso, fosse perder oportunidades.


Comparava-me muitas vezes com pessoas que pareciam ter um caminho muito mais claro do que o meu.


Mesmo depois de sair do mundo corporativo, estas vozes continuaram.


Na pintura, por exemplo, pensava muitas vezes que talvez devesse fazer cursos, especializar-me, estudar técnica.


Perguntava-me constantemente:


"Em que é que eu sou realmente especialista?"


Tenho muitos interesses. Muitas paixões.


Mas onde é que estou verdadeiramente a investir?


Ao mesmo tempo, nunca senti vontade de fazer dezenas de cursos de pintura.


Porque sinto que pinto de forma muito intuitiva.


Claro que nem toda a técnica está lá.


Mas essa liberdade permite-me estar muito mais próxima da fonte criativa do que se estivesse constantemente a tentar encaixar aquilo que faço numa técnica específica.


Só que isso nunca parecia ser suficiente para aquelas vozes interiores.


Até que, um dia, caiu-me uma consciência muito simples.


Na verdade, eu já me estou a especializar há muito tempo.


Estou a especializar-me em ler energia.


E continuo a fazê-lo.


Percebi que não preciso de encontrar uma especialização diferente.


Já a encontrei.


Tudo aquilo que estudo, tudo aquilo que exploro, todas as ferramentas que aprendo têm uma base comum.


Ler energia.


Depois existem muitas formas de o fazer.


Através das leituras da aura.


Das constelações.


Da pintura.


Ou de qualquer outra ferramenta que venha a fazer parte do meu caminho.


Mas as ferramentas são apenas isso: ferramentas.


Aquilo que realmente estou a aprofundar é a capacidade de ler energia e de colocar essa leitura ao serviço do autoconhecimento, da consciência, da libertação e da evolução, tanto das pessoas que trabalham comigo como, antes de tudo, da minha própria.


Durante muito tempo chamei a isto desenvolvimento pessoal.


E continua a ser.


Mas hoje percebo que existe uma camada ainda mais profunda.


Eu escolho aplicar a leitura energética ao desenvolvimento pessoal.


Podia aplicá-la a muitas outras áreas.


Mas escolho esta.


E isso fez-me perceber outra coisa.


Posso continuar a ser uma pessoa com muitos interesses.


Com muitas paixões.


Com muitas formas de expressão.


Posso continuar a explorar tudo aquilo que desperta a minha curiosidade.


Porque agora já sei que existe um fio condutor.


Na base de tudo aquilo que faço existe uma especialização muito clara.


Ler energia.


E, curiosamente, isso também acontece quando pinto.

 
 
 

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