Quando a validação já não vem do ego
- Filipa Lele
- 9 de jul.
- 2 min de leitura

Durante muito tempo achei que toda a validação vinha do ego.
Daquela parte mais humana que tem dúvidas, faz perguntas e procura constantemente confirmação.
Aquela voz que quer ouvir:
"Estás a fazer bem."
"Continua."
"Estás no caminho certo."
Para mim, validação era isto.
Era precisar que alguém, ou alguma coisa fora de mim, confirmasse que estava tudo certo.
Mas recentemente vivi uma experiência diferente.
Percebi que existe outro tipo de validação.
Uma validação que não vem de fora.
Nem sequer vem da mente.
Vem da alma.
E foi uma das descobertas mais bonitas que fiz nos últimos tempos.
Porque a vida, às vezes, entra em turbulência.
Há fases em que parece que tudo acontece ao mesmo tempo.
Mudanças.
Desafios.
Incertezas.
E, naturalmente, começamos a questionar-nos.
Será que estou mesmo no caminho certo?
Será que era por aqui?
Será que devia estar a fazer outra coisa?
Nesses momentos, é muito fácil procurar respostas fora de nós.
Mas, desta vez, aconteceu algo diferente.
Foi como se, por um instante, a alma dissesse:
"É mesmo por aqui."
"Continua."
"Está tudo certo."
"Esta tempestade vai passar."
E, de repente, todas aquelas certezas que sempre estiveram cá dentro, mas que o ruído da vida tinha começado a abafar, voltaram.
Não porque alguém me elogiou.
Não porque recebi reconhecimento.
Nem porque encontrei uma prova externa.
Voltaram porque existe uma parte de nós que simplesmente sabe.
Uma parte que não precisa de argumentos.
Nem de aprovação.
Nem de validação externa.
Perceber isto abriu um espaço completamente novo dentro de mim.
Durante anos associei validação apenas ao ego.
Hoje percebo que também existe validação da alma.
E são coisas completamente diferentes.
A validação do ego procura segurança.
A validação da alma traz paz.
O ego pergunta.
A alma lembra.
E quando essa lembrança chega, acontece uma coisa muito difícil de explicar.
Há qualquer coisa dentro de nós que finalmente relaxa.
Como se deixássemos, por um instante, de precisar que o mundo nos dissesse quem somos.
Porque já nos lembrámos.



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