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Entre o Controlo e a Entrega: Integrar o Ego Espiritual com Consciência

O ego espiritual misturado com controlo, esta ideia de que, se eu estiver alinhada, vou receber abundância em massa. Isto vive dentro de mim.

E há uma parte de mim que não gosta nada disso, que até rejeita essa faceta, acha-a feia.


Em quase tudo o que faço comigo mesma, muitas vezes exercícios tão profundos e transformadores, há expectativa subtil de resultado, seja mais dinheiro, mais clientes, mais autoestima, mais plenitude.


Há sempre uma expectativa por trás.


E isso leva-me à base: se eu já estou a definir o resultado, estou a limitar o que pode vir.


Talvez eu tenha uma ideia do que é um bom resultado, quando o universo poderia dar infinitamente mais, ou algo completamente diferente que eu nem consigo imaginar.


E mais importante ainda: o foco no resultado, para mim, não é alinhamento, é ego espiritual.


Então decidi fazer um exercício diferente:

olhar diretamente para o meu ego espiritual, sem expectativas, sem querer chegar a um resultado.


Só observar.


Neste processo, torna-se claro que trazer isto à consciência e dar-lhe voz é essencial para que deixe de agir de forma escondida. Ao mesmo tempo, reconheço o quanto a minha expressão criativa é importante neste caminho.


Mas também vejo que existe uma tendência para o isolamento, não como um recolhimento saudável, mas como um fechamento.


Quando aprofundo isto, surgem duas forças muito presentes: obrigação e medo.


E tudo começa a fazer sentido.


Existe muito medo em mim.

E existe também um peso de obrigação.


O controlo nasce do medo.

E o ego espiritual é usado como uma forma de tentar evitar esse medo e essa sensação de obrigação; como se, fazendo tudo “certo”, eu pudesse evitar desconforto.


Até a minha expressão criativa, que é algo natural e prazeroso, por vezes entra nesse lugar de obrigação. Falta validação interna, falta reconhecer o valor do que faço — e isso faz com que tenha de me “forçar” a começar.


E o medo leva-me a fechar.

Não porque eu seja uma pessoa fechada, mas porque, em certos momentos, entro nesse estado.


E aqui surge uma pergunta essencial:

como integrar o ego espiritual sem que ele domine?


Não quero eliminá-lo, eu sinto que ele faz parte.

Mas quero que ocupe o lugar certo: como ferramenta de consciência, não de controlo.


Em boa verdade, o caminho para isto, é permitir-me ser cuidada.


Ao fazer isso, deixo de precisar de me fechar.

A obrigação deixa de ser peso e passa a ser escolha.


E surge uma distinção importante:

posso ser “chefe” (no sentido de controlo, exaustão, burnout),

ou posso ser líder: responsável pela minha vida mas aberta a receber cuidado.


Quando me sinto como líder, tudo muda.

Há espaço para descanso, regeneração e nutrição.


E, no fundo, tudo se resume a isto:

que pessoa escolho ser para mim na minha própria vida?


Deixa mais perguntas do que respostas mas fico com a sensação que fui até um sítio muito fundo, de forma leve, com energia e com algo essencial a reorganizar-se dentro de mim.

 
 
 

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