Eu sou a minha prioridade
- Filipa Lele
- 18 de mai.
- 3 min de leitura

A minha prioridade sou eu. Isto pode, às vezes, soar impopular, egoísta ou qualquer outro nome que lhe queiram dar. Já ouvi muitos.
Mas a verdade é esta: a minha prioridade sou eu. Sou eu no meu dia-a-dia, nas pequenas escolhas da vida. Sou eu porque priorizo o sono, que para mim é talvez a coisa mais importante de todas. Eu durmo o melhor possível. Prioritizo o treino, a alimentação, o cuidado com o meu corpo. O tempo de descanso.
Eu ouço-me: onde é que quero estar, o que é que quero fazer, para onde é que quero ir. Não vou só porque sim. Não vou só porque acho que é importante ou porque alguém ia gostar, ou por fazer um favor.
E com isto não quero, de todo, dizer que as outras pessoas não são importantes para mim ou que não entram em consideração na minha vida. Claro que entram. Se houver uma urgência, eu vou. Se isso implicar dormir pior ou não treinar naquele dia, está tudo bem, são urgências, e claro que eu estou lá. Se alguém tem de ir ao hospital, se acontece um acidente, obviamente eu vou estar presente.
Ou, se eu sinto que alguém precisa de mim e eu consigo dar isso naquele momento, mesmo que inicialmente não fosse o plano, eu vou. Eu estou. Porque, para mim, a coisa mais preciosa que tenho e que dou é o meu tempo e a minha presença.
E é justamente por isso que eu me priorizo. Porque, se eu não tomar conta de mim e não garantir que estou no meu melhor possível, a pessoa que aparece para os outros não sou eu inteira: é uma sombra de mim, uma versão zombie, um fantasma.
Quanto melhor eu estou, mais disponibilidade eu tenho. Mais inteira eu estou. Mais presente eu consigo estar com os outros, nas coisas pequenas e grandes da vida. E isso só acontece porque eu sou a minha prioridade.
Pode ser uma opinião impopular mas não consigo conceber de outra forma. Não estou a dizer que tem de ser assim para toda a gente, longe de mim. Acho que tudo depende do lugar a partir do qual as escolhas são feitas.
Acredito que há muita gente que se doa em excesso por falta de autoestima, por falta de sentir o próprio valor (não porque não tenham valor, mas porque não o conseguem sentir) e acabam por tentar ir buscá-lo fora.
Essas pessoas têm, sim, muito a ganhar ao escolherem priorizar-se desta forma.
Depois há outras pessoas que se doam genuinamente, a partir de um lugar de inteireza. Um lugar em que sabem exatamente o seu valor, quem são, onde estão. E em que ir ou não ir, estar ou não estar, não altera a imagem que têm de si mesmas.
E, a partir desse lugar, existe espaço real para estar com o outro de forma inteira, sem perda, sem vazio, sem estar a tentar preencher nada. Simplesmente ir.
Porque quando se doa a partir do vazio, isso cria desequilíbrio. A pessoa perde-se de si mesma. Surge esse sentimento de “eu dou tanto e não recebo nada”, surgem feridas, frustrações e uma desconexão interna.
E, por isso, para mim, ao dia de hoje, e já há algum tempo, não há outra forma de viver que não seja esta: eu ser a minha prioridade.



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