Fotografia também é criar
- Filipa Lele
- 11 de mar.
- 1 min de leitura
Durante muito tempo achei que a fotografia só era válida se fosse real. Fotojornalismo.

Registar o que está a acontecer como está a acontecer.
Até que fui a uma exposição no Maat e levei um abanão. O fotógrafo não captava apenas. Criava. Montava cenários, contratava cenógrafos, produzia uma peça de 15 segundos só para tirar uma fotografia. E para mim aquilo soava a manipulação.
A meio, ele disse algo que me abriu a cabeça. Se o cinema não é só documentário, porque é que a fotografia tem de ser? Fotografia também é arte. É criação. É expressão.
Percebi que, mesmo que a minha ligação seja maior ao registo espontâneo, é válido editar, compor, brincar com cores e recortes. É válido que a fotografia seja um reflexo de quem eu sou, não apenas de como estava o mundo naquele momento.
No fundo, deixei cair o preconceito. Porque contar uma história à minha maneira não é falsificar. É criar. E criar é sempre válido.



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