Há qualquer coisa no que acontece ao vivo
- Filipa Lele
- 28 de jul.
- 2 min de leitura

Adoro tudo o que é ao vivo. Acho que é por isso que vou muito mais ao teatro do que ao cinema. É uma energia completamente diferente. Para mim, é ainda mais imersivo. Até fico me arrepio só de pensar.
Parte do que me toca tanto nestas experiências tem a ver com o facto de serem irrepetíveis. O que está a acontecer existe apenas naquele momento. Nunca mais haverá exatamente aquela combinação de pessoas, de emoções, de energia, de pequenos imprevistos que tornam tudo tão humano.
Mas há outra coisa que me fascina ainda mais: a energia do coletivo.
É curioso como um grupo de pessoas que não se conhece pode, de repente, estar a viver exatamente a mesma experiência. Rimos juntos, prendemos a respiração ao mesmo tempo, emocionamo-nos sem sequer olhar uns para os outros. Há uma espécie de campo invisível que se cria quando muitas pessoas estão verdadeiramente presentes no mesmo lugar.
Acho que é por isso que gosto tanto de experiências em grupo. Não apenas do teatro mas também de concertos, retiros, workshops, constelações sistémicas ou até de uma exposição onde sentimos que todos estão, de alguma forma, a ser atravessados pela mesma obra.
Cada pessoa vive uma experiência completamente diferente. Cada uma leva consigo a sua história, os seus filtros, as suas emoções. E, ainda assim, existe qualquer coisa que nos une naquele instante.
É como se, durante um momento, deixássemos de ser apenas indivíduos e passássemos a fazer parte de um organismo maior.
Talvez seja isso que tanto me emociona.
Lembrar-me de que somos profundamente individuais mas nunca verdadeiramente separados.
Que aquilo que acontece dentro de mim também ressoa em quem está ao meu lado, mesmo que de formas diferentes.
E talvez seja por isso que acredito tanto no poder dos grupos. Porque quando uma pessoa se permite sentir, muitas vezes abre espaço para que outra também o faça. Quando alguém tem coragem de dar um passo, esse movimento ecoa muito para lá de si.
No fundo, acho que gosto de tudo o que acontece ao vivo porque me lembra exatamente isso.
Que a vida não foi feita para ser apenas observada.
Foi feita para ser vivida.
E, de vez em quando, vivida em conjunto.



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