Não há uma forma de manifestar
- Filipa Lele
- 18 de ago.
- 2 min de leitura

Visionboard. Afirmações ao espelho todas as manhãs. Visualizar a coisa com todos os detalhes até a conseguires sentir. Escrever o que queres como se já fosse verdade.
Já tentaste. E resultou pouco, para o esforço que deu.
Isso não quer dizer que estes métodos estejam errados. Funcionam mesmo, e funcionam bem, para muita gente. O que ninguém costuma dizer é que não funcionam para toda a gente e que isso não tem nada a ver contigo.
O detalhe que ajuda ou que atrapalha
Há pessoas que precisam de definir tudo ao milímetro: a data exacta, o valor exacto, a forma exacta como a coisa deve chegar. Para essas pessoas, quanto mais detalhe, mais fácil é reconhecer quando a coisa aparece.
E há pessoas a quem isso faz o efeito contrário. Quando definem a forma ao pormenor, fecham as portas por onde a coisa ia entrar porque a vida costuma trazer as coisas por caminhos diferentes dos que imaginámos, e quem só sabe reconhecer a versão exacta que desenhou deixa passar tudo o resto.
Estas pessoas manifestam melhor pela essência: sabem o que querem sentir, sabem qual é o critério mínimo, e deixam a forma em aberto.
Decidir depressa ou dormir sobre o assunto
Há pessoas que sabem no corpo, em segundos. A resposta chega antes do pensamento, e quando tentam analisar demasiado, a clareza dispersa-se em vez de aumentar. Para estas, pensar muito é o que estraga a decisão.
E há pessoas para quem o contrário é verdade: decidir depressa é decidir mal, e só a noite de sono, ou a conversa com alguém de confiança, traz a resposta certa.
Nenhuma das duas está errada. São dois relógios diferentes.
Ir atrás ou responder ao que aparece
Há quem construa a perseguir: define um alvo, traça o caminho, empurra até lá chegar. E há quem só construa bem quando responde ao que lhe aparece à frente, quem precisa de estar exposto a mais possibilidades, mais do que precisa de mais planeamento.
Para o segundo tipo, empurrar não acelera nada. Só cansa.
O que acontece quando o método não é o teu
Fazes tudo o que dizem para fazer, e sai pouco. Cansas-te muito para andar pouco. E como fizeste tudo certo, pelo menos certo segundo os livros, começas a achar que o problema é falta de disciplina, ou de fé, ou de merecimento.
Não é. É estares a tentar entrar por uma porta que não é a tua.
Como se descobre a tua
Não é com um teste, é reparando. Repara em que decisões correram melhor: as que planeaste ao detalhe, ou as que deixaste em aberto? Repara em quando confiaste mais em ti: quando decidiste na hora, ou quando esperaste? Repara em que tipo de coisas te chegaram: as que foste buscar, ou as que apareceram e reconheceste?
A resposta já está no teu histórico. Só precisa de ser lida.
O problema nunca foi não saberes manifestar. Foi estares a usar um método que não é o teu.



Comentários