Ler auras é um dom ou aprende-se?

Aprende-se.
Sei que não é a resposta que se espera. Quando digo o que faço, a pergunta que me fazem quase sempre a seguir é se nasci assim. Não nasci. Nem sequer sabia que isto existia até há poucos anos.
Já te aconteceu isto
Estás sentada num sítio qualquer. Entra alguém que nunca viste. E antes de essa pessoa dizer uma palavra já estás a sentir coisas sobre ela: se te apetece aproximar ou afastar, se está bem ou não está, se há ali alguma coisa que não bate certo.
Acontece a toda a gente, todos os dias.
Isso já é comunicação. É a tua aura e a dela a trocar informação, muito antes de haver conversa nenhuma. Não é imaginação tua nem é coincidência. É informação a chegar por um canal que ninguém te ensinou a ler.
Então porque é que é preciso aprender?
Porque nesse momento tu não estás neutra.
Estás a sentir aquilo através das tuas coisas. Do teu dia, do teu humor, do que já viveste, das ideias que tens sem dar por elas. Se acabaste de discutir com alguém, se estás cansada, se aquela pessoa te lembra outra de quem não gostas, tudo isso entra na leitura sem tu perceberes.
E é aí que está a diferença entre sentir e ler.
Numa leitura da aura, o trabalho é esse: pôr-me de lado para que o que chega seja da pessoa e não meu. Aprender a ser o mais neutra possível.
Com isso não se nasce. Isso treina-se.
A minha primeira leitura
Em 2021 fizeram-me a minha primeira leitura da aura.
Foi uma pessoa que não me conhecia de lado nenhum. Passou uma hora a trazer à consciência partes minhas que ela não tinha como saber e que eu não via mas reconheci.
Não foi mágico no sentido em que se costuma imaginar. Foi outra coisa, mais difícil de explicar: foi alguém dizer em voz alta aquilo que eu andava a evitar dizer a mim própria.
Mudou-me a direção da vida.
No ano seguinte fiz um curso de seis meses de Leitura da Aura. Depois vieram os três níveis de Reiki Essencial, a formação de innerdance, a de constelações sistémicas. Não parei desde então.
O que se aprende, afinal
A base já a temos todos. O que se aprende é outra coisa.
Aprende-se a estrutura de uma leitura. Como se abre, como se conduz, como se fecha.
Aprende-se como aceder à informação daquela pessoa em concreto, e não ao que se imagina sobre ela.
Aprende-se a distinguir o que é meu do que apanhei, porque sem isso não há leitura nenhuma, há projeção.
E aprende-se neutralidade. Essa é a parte mais longa e a mais exigente, e é também a única que não fica na sessão. Fica em ti, na forma como ouves as pessoas e no que deixas de levar contigo para casa.
Não é dom
É uma competência. Treina-se, melhora com prática e leva tempo a assentar.
Toda a gente já sentiu coisas sobre alguém antes de essa pessoa abrir a boca. A diferença está em saber o que fazer com isso.



Comentários