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O que não te contam sobre aprender a ler energia

23 de set.
2 min de leitura

Quando alguém pensa em aprender a ler auras, imagina que vai aprender a ver coisas sobre os outros.


É isso que se vende, é isso que se procura. E é a parte mais pequena do que acontece.


O trabalho começa em ti


Não podes ler o campo de outra pessoa com clareza enquanto o teu estiver cheio das tuas coisas.


Isto não é uma frase bonita. É mecânica.


O que não estiver trabalhado em ti vai aparecer no que lês nos outros, disfarçado de intuição. Vais achar que estás a receber informação sobre aquela pessoa e vais estar a ver a tua própria história refletida nela. É o erro mais comum de quem começa e é também o mais difícil de detetar, porque parece exatamente igual a uma leitura verdadeira.


Por isso o trabalho não começa na outra pessoa. Começa em ti.


É por isso que demora


Há formações de fim de semana. Há vídeos que prometem ensinar em duas horas.


Podem ensinar a técnica. Não podem ensinar neutralidade, porque a neutralidade não se ensina, treina-se, e treinar leva tempo.


Seis meses não é tempo a mais. É o mínimo para as tuas próprias coisas começarem a mexer, para praticares o suficiente para o corpo saber fazer sozinho, e para veres em ti a diferença entre o que sentias no início e o que sentes no fim.


A parte desconfortável


Ninguém diz isto nos anúncios, por isso digo eu.

Ao longo do percurso vão aparecer coisas tuas. Padrões que já conhecias e alguns que não. Momentos em que percebes que aquilo que estás a ver na outra pessoa é teu.


Não é sempre agradável. E é exatamente aí que o trabalho acontece.


É por isso que se faz em grupo pequeno e com acompanhamento. Não se atravessa isto sozinha, e não se deve atravessar sozinha.


O que fica


Aqui está a parte que quase ninguém antecipa.

A neutralidade não fica na sessão. Fica em ti.

Passas a distinguir o que é teu do que apanhaste, e isso muda os teus dias, não só as tuas leituras. Passas a saber limpar-te. Passas a conseguir estar com alguém em sofrimento sem saíres de lá esvaziada.


Quem faz este percurso costuma notar a diferença primeiro na vida do que nas leituras. Na forma como ouve as pessoas. No que deixa de levar consigo para casa.


Não é um curso de técnica


É um curso onde se aprende técnica e onde, ao mesmo tempo, se trabalha quem a aplica.


As duas coisas não se separam. Quanto mais trabalhada estiveres, mais neutra consegues ser. E quanto mais neutra fores, mais limpa é a leitura.


É essa a ordem. E é essa a parte que não te contam.

 
 
 

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