O teu corpo não está contra ti
- Filipa Lele
- há 3 dias
- 1 min de leitura

Há pessoas que vivem com o corpo em tensão constante.
Ombros presos. Mandíbula contraída. Respiração curta. Sensação permanente de alerta.
E muitas vezes os exames dizem que está tudo bem.
Então começa a dúvida.
“Se está tudo bem… porque é que o meu corpo se sente assim?”
A verdade é que o corpo não guarda apenas experiências físicas.
Guarda também emoções, estados internos e tudo aquilo que não teve espaço para ser vivido ou expresso.
O corpo funciona como um arquivo.
Vai acumulando micro tensões ao longo dos dias e dos anos.
O esforço de sustentar tudo.
O hábito de estar sempre disponível.
A necessidade de controlar.
As emoções que foram engolidas porque “não era altura” para senti-las.
Com o tempo, o estado de alerta deixa de ser momentâneo e passa a ser o estado natural do sistema nervoso.
Muitas pessoas vivem assim sem perceber.
O corpo nunca desliga completamente.
Nunca sente que pode baixar a guarda.
E a tensão torna-se linguagem.
Não como castigo.
Não como erro.
Mas como comunicação.
O corpo está constantemente a mostrar-nos aquilo que a mente tenta ultrapassar rapidamente.
Por isso, muitas vezes, o ponto não é “relaxar” o corpo à força.
Nem obrigá-lo a voltar ao normal.
O ponto é criar segurança suficiente para que ele deixe de precisar de estar tão contraído.
Porque quando o sistema sente que já não precisa de sobreviver da mesma forma, algo começa naturalmente a soltar.
Não por controlo.
Mas porque a tensão deixou de ser necessária.
Talvez o teu corpo não esteja contra ti.
Talvez esteja apenas há muito tempo a tentar falar contigo.



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