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O teu corpo não está contra ti

Há pessoas que vivem com o corpo em tensão constante.

Ombros presos. Mandíbula contraída. Respiração curta. Sensação permanente de alerta.


E muitas vezes os exames dizem que está tudo bem.


Então começa a dúvida.

“Se está tudo bem… porque é que o meu corpo se sente assim?”


A verdade é que o corpo não guarda apenas experiências físicas.

Guarda também emoções, estados internos e tudo aquilo que não teve espaço para ser vivido ou expresso.


O corpo funciona como um arquivo.


Vai acumulando micro tensões ao longo dos dias e dos anos.

O esforço de sustentar tudo.

O hábito de estar sempre disponível.

A necessidade de controlar.

As emoções que foram engolidas porque “não era altura” para senti-las.


Com o tempo, o estado de alerta deixa de ser momentâneo e passa a ser o estado natural do sistema nervoso.


Muitas pessoas vivem assim sem perceber.

O corpo nunca desliga completamente.

Nunca sente que pode baixar a guarda.


E a tensão torna-se linguagem.


Não como castigo.

Não como erro.

Mas como comunicação.


O corpo está constantemente a mostrar-nos aquilo que a mente tenta ultrapassar rapidamente.


Por isso, muitas vezes, o ponto não é “relaxar” o corpo à força.

Nem obrigá-lo a voltar ao normal.


O ponto é criar segurança suficiente para que ele deixe de precisar de estar tão contraído.


Porque quando o sistema sente que já não precisa de sobreviver da mesma forma, algo começa naturalmente a soltar.


Não por controlo.

Mas porque a tensão deixou de ser necessária.


Talvez o teu corpo não esteja contra ti.

Talvez esteja apenas há muito tempo a tentar falar contigo.

 
 
 

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