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Plot twist: o cérebro também é carne

Fui para a terapia como uma perdida no deserto à procura não só de água mas também de salvação. A minha cabeça já há muito tempo que não era um lugar seguro. Viver lá dentro não estava fácil. E admitir isso também não. Mas quando essa “solução” apareceu à minha frente, eu só fui. E não posso dizer que não foi milagroso, porque foi. As pessoas que encontrei abriram tantos espaços novos em mim, seguram-me a mão para ir a lugares antigos, deram-me colo, amor, mostraram-me novas possibilidades.


Mas sem dúvida que os milagres aconteceram porque eu decidi ir. E fui mesmo. Inteira. Aos bocados. Como foi possível. Mas fui mesmo. E durante muito anos, essa foi a maior prioridade da minha vida. Viver cada vez melhor dentro da minha cabeça. E valeu muito a pena todo este investimento. Nunca a minha cabeça foi um lugar tão bom para se estar.


Engraçado que agora começo a perceber que não basta transformar a cabeça num lugar hospitaleiro, é preciso que o corpo também seja. Porque os dois estão intimamente ligados num círculo infinito. A mente influencia altamente o estado físico e o corpo afeta profundamente o estado da mente. A bem dizer, são uma coisa só, não fosse o cérebro ser carne.


E não há terapia que nos salve se não dormirmos bem, nos alimentarmos em função do que o corpo precisa, fizermos exercício, apanharmos sol... escutarmos o corpo...

Tal como não há estilo de vida milagroso, se não sentirmos, acolhermos e libertarmos as nossas emoções.


É uma dança entre dois parceiros que na verdade são só um.

 
 
 

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